Alexandra María Silva Vidal

Resenha do livro Arquivoconomia Digital de Charlley Luz

A área da arquivologia vem enfrentando novos desafios, acostumados a tratar de documentos físicos, profissionais se vêm em uma nova realidade com a produção de documentos nato digitais e o desafio de sua preservação, a obra Arquivoconomia Digital de Charlley Luz com a participação de Humberto Innarelli e de Vanderlei Batista dos Santos vem com a proposta de resgatar uma disciplina “esquecida” nos estudos da arquivologia como uma possibilidade para se pensar o desenho de ambientes de gestão de arquivos digitais.

Charlley Luz é arquivista, coordenador e professor da pós-graduação em gestão de documentos da FESPSP e consultor em estratégia de informações e ambientes digitais da Feed Consultoria. Autor dos livros Arquivologia 2.0 e Primitivos Digitais.

O livro Arquivoconomia Digital foi publicado em 2020, em 16 capítulos parte das definições de Arquivoconomia, com revisão bibliográfica sobre essa disciplina – como ela é abordada por Eugênio Casanova – texto referência do livro, chegando às aplicações em sistemas integrados de arquivos digitais.

O exercício verificado é o resultado que o livro aborda: os principais itens que formam a Arquivoconomia, com analogias aplicadas à realidade dos documentos digitais.

Faz um périplo por autores como Albuquerque, Antónia Heredia Herrera, MatillaTascón, Aurelio Tanodi, entre outros e suas considerações teóricas acerca da definição dos termos arquivo, arquivística e Arquivoconomia.

Isto resulta em recortes das análises de vários autores sobre o termo arquivoconomia, adotando um que será utilizado em todo o livro: técnica e métodos a serem empregados na estruturação de serviços de arquivos, tanto físicos como digitais.

A publicação descreve a visão de Eugenio Casanova em seu livro Archivistica de 1928, que traz os elementos para a construção de arquivos, quatro fundamentos principais que, nesta obra, servirão para a estruturação de arquivo digital. Existe todo o detalhamento das etapas da Arquivoconomia de Casanova correlacionada com a realidade digital, como síntese existe um quadro comparativo que facilita para o leitor as ideias apresentadas.

A partir de Casanova que consolidou uma tradição que vinha desde José Morón, ainda em 1879, de como deveria ser as etapas para construção de um arquivo físico, o livro relaciona a estrutura de tecnologia da informação e apresenta requisitos, além de uma visão completa do Entorno Digital do arquivo, aplicada na criação de um arquivo digital.

Para construção de um arquivo apresenta para o caso brasileiro o SIGAD (Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos), sua operação de acordo com o E-Arq, mostrando como deve ser montado e seus requisitos básicos.

Em relação à higiene e manutenção das instalações (preservação) e restauração mais uma vez Charlley Luz estabelece um paralelismo com a necessidade de entender a preservação digital como um continuum que deve ser tido em conta desde a criação da informação e não somente a reta final do seu percurso. Mas ainda vai mais longe destacando 9 etapas da arquivoconomia e comparação com planejamento digital.

Pensando na estrutura de gestão, preservação e difusão, aborda os requisitos para os Repositórios Arquivísticos Digitais (RDC-Arq). Explorando o uso do software livre Archivemática, sistema de preservação digital de código aberto, projetado para manter o acesso à longo prazo para a memória digita. Trazendo também os requisitos para a difusão dos documentos, seja em site, blog, portal.

Pensando na distribuição do espaço, onde os serviços de um arquivo ocorrem, na realidade digital aponta para serviços online, aplicativos, definidos pela Arquitetura da Informação e pela Experiência do Usuário (uX). Este campo do conhecimento de acordo com o autor, se preocupa em organizar, estruturar e categorizar a informação. Uma disciplina que ajudaria na construção do ambiente para arquivo digital.

O livro finaliza chamando outros pesquisadores para o estudo da arquivoconomia aplicada ao ambiente digital, que é nossa realidade, já existem requisitos disponíveis para a criação de um Arquivo Digital Histórico, sendo necessária sua aplicação.

O livro é muito interessante ao trazer para o século XXI a discussão de uma disciplina do final dos anos 20 do século passado, demonstrando que é possível um resgate de conceitos históricos esquecidos, diante de tanta informação já produzida acerca dos arquivos físicos, e poder aplicar na construção dos arquivos digitais, há muita semelhança na estrutura, muitas vezes nos vemos perdidos nessa realidade, mas o conhecimento já existe, sendo necessário adaptações.

Além de mostrar que para a construção desses ambientes digitais, a interdisplinariedade é fundamental, há outras áreas que podemos beber da fonte, ou termos profissionais diversos para essa construção, visando a preservação desse vasto conhecimento que estamos produzindo, mas que ainda não temos todas as respostas para sua perpetuação.

Sublinha-se os vários esquemas realizados pelo autor, interpretando e concluindo que a Arquivoconomia Digital deve ser entendida como uma metodologia de planeamento de ambientes digitais, onde estarão sempre garantidas a gestão, preservação e acesso das Plataformas Arquivísticas Digitais.

Deste modo, podemos referir que o paralelismo estabelecido entre antigas teorias e problemáticas digitais atuais podem nos ajudar a entender os princípios universais da arquivologia que são os pilares da construção do labor arquivístico. Constituindo um bom manual para conhecer “velhas” teorias e, no fundo, a história da teorização arquivística e as questões e desafios atuais no que concerne à preservação da informação digital, a sua manutenção, difusão e os perigos da obsolescência. Muito importante, para ler e refletir, por todos aqueles que diretamente trabalham com arquivos nativos digitais, ou necessitam migrar arquivos analógicos para digitais.

Mais um livro para a área arquivística, que nos instiga a voltar nos clássicos e buscarmos soluções para nosso presente e futuro.

Libro en Amazon: Arquivoconomia Digital de Charlley Luz

 

Revisitando o Arquivo do escritor Sousa Costa: os arquivos e a memória dos autores esquecidos

 

Apresentação

Alberto Mário de Sousa Costa nasceu no ano de 1879 em Vila Pouca de Aguiar e faleceu no Porto em 1961. Filho de António de Sousa Costa, escrivão de Direito naquela vila e de Tomásia da Conceição Gomes Costa. Foi nesta cidade que aprendeu as primeiras letras e mais tarde em Vila Real frequentou o liceu, passando a viver nesta cidade com os seus pais. A sua passagem pela Universidade de Coimbra, para frequentar o curso de Direito, foi num primeiro momento efémero, regressando a Vila Real em 1898 ou inícios de 1899. É também em Vila Real que escreve os primeiros capítulos da sua obra de estreia, a novela Os que triunfam (Lisboa, 1901), concluída em Vidago em Abril de 1900.

Sousa Costa foi um escritor prolífico, colaborando intensamente em jornais e revistas nacionais e estrangeiros: Diário de Notícias, O Século (1904) por intermédio de Silva Graça e Schwalbach, auferindo a quantia de 5 mil réis por conto ou artigo, O Vila-realense (1904), Revista Estudos Italianos em Portugal, Primeiro de Janeiro (1910), Jornal O Dia (1910), Revista Eva, Sempre Fixe, O Tripeiro cuja colaboração teve início em 1945, Jornal brasileiro Correio da Manhã, Caras & Caretas Comércio do Porto, Ilustração Portuguesa (1908), Jornal Notícias de Lourenço Marques, A Voz, entre outros. Colaborou ainda, juntamente com D. Emília, no jornal A Época, jornal de existência efémera. Destaca-se, ainda, a sua colaboração com o jornal argentino La Prensa (1923) de Buenos Aires, propriedade da família Gainza, cuja colaboração foi interrompida durante a ditadura de Juan Péron até 1956, mas que retomará praticamente até ao final da sua vida. A sua prolífica atividade como escritor não o limitou apenas a um estilo literário, pois como sabemos é evidente, Sousa Costa cultivou não só o romance, mas também a novela, o conto, a crónica e o ensaio.

A incorporação do arquivo

Passados tantos anos, corria o ano de 2011 quando se deu a incorporação do seu arquivo, na Fundação Ensino e Cultura Fernando Pessoa – Porto. Esta incorporação foi feita através da doação de um familiar do escritor, sensível não apenas à preservação do acervo mas também consciente de que o seu tratamento apenas poderia ser feito por profissionais da informação.

Deste arquivo, ainda só foi tratada a correspondência constante no acervo documental de Sousa Costa e seria imperioso que o restante arquivo tivesse tratamento arquivístico, para futura difusão. No entanto, como se trata de um arquivo privado na posse de uma instituição privada a decisão no acesso a este arquivo não está protegida pela legislação arquivística vigente em Portugal.

Decorreram já cinquenta anos sobre a data da morte do escritor e se este arquivo tivesse sido incorporado pelo Estado Português, a questão da comunicabilidade do seu conteúdo já não seria um entrave à sua consulta, pois o mesmo estaria já no domínio público.

A comunicabilidade de um arquivo pessoal: a correspondência de um escritor

Outro tema pertinente que podemos colocar acerca deste tipo de acervos de escritores é da fronteira entre a esfera pública e privada, pois a linha que as distingue é, por vezes, muito ténue. Por conseguinte, a definição de arquivo pessoal, muitas vezes, confunde-se com a de arquivo privado. Podemos ter arquivos pessoais de cunho público e arquivos pessoais de direito privado, sendo os primeiros sobretudo de titulares que exerceram determinada atividade e deixaram um legado cultural em instituições públicas. Pelo que não deve ser confundível com os direitos de autor que visam proteger a obra e não a vida privada do indivíduo.

Destacamos a correspondência constante no acervo documental Sousa Costa pode ser definida como comunicação escrita passiva (recebida) e a comunicabilidade do seu conteúdo está salvaguardada, pois para além de ter sido adquirida, por herança, pelo Professor Doutor Lemos de Sousa, seu detentor legal, convêm realçar que o seu conteúdo não é susceptível de tocar na intimidade da vida privada quer dos remetentes, quer do destinatário, o escritor Sousa Costa. Por outro lado, decorreram já cinquenta anos sobre a data da sua morte e se o seu arquivo tivesse sido incorporado pelo Estado, a questão da comunicabilidade do seu conteúdo já não seria um entrave à sua consulta, pois o mesmo estaria já no domínio público.

A carta é a comunicação manuscrita ou impressa endereçada a uma ou mais pessoas que desempenha um importante papel no processo de interacção social. É uma partilha que pode ser uma porta aberta para o conhecimento de algo ou de alguém. A prática comunicativa epistolar de Sousa Costa, é como que um laboratório da sua criação literária, é um território fértil para o estudo da sua biografia.

A difusão de um arquivo pessoal

Um outro grande desafio é que o arquivista que tenha entre as mãos um arquivo pessoal é muitas vezes confrontado com o poder do seu criador, o que é completamente diferente dos arquivos institucionais. Sobretudo, os arquivos de escritores que nunca estão inteiramente afastados do seu trabalho e dos detalhes da sua própria vida. Não estando dissociados da sua própria vida, ligam-se muitas vezes aos seus familiares ou herdeiros designados cabendo a estes o destino a dar tal legado.

Não raras vezes, são esquecidos em caixas cobertas pelo pó do tempo acabando por desvanecer-se com a passagem dos anos outras vezes, muito tempo depois, são resgatados do esquecimento e colocados à disposição de profissionais da Ciência da Informação e, por fim, do leitor. Sendo este o fim último do labor arquivístico, difundir o que certamente seria esquecido pelos demais e se alguém teme ser esquecido, um escritor o que mais anseia é ser recordado e sempre lido.

No Arquivo Municipal/Casa do Infante_PORTO_PORTUGAL_”Lojas do Porto – História e Identidade”

Uma exposição que enaltece o comércio tradicional e conta histórias do que o Porto era e sempre será uma cidade viva!

Tendo como ponto de partida documentos, imagens e objetos do Arquivo Histórico Municipal do Porto, aos quais se juntam ainda objetos de alguns estabelecimentos e acervos de outras instituições, relembram-se lojas tradicionais, algumas já desaparecidas e outras ainda existentes. Destaca-se um pergaminho – carta do rei D. João I sobre os mercadores de panos (1430) está entre os vários objetos que integram esta mostra temporária, assim como uma seleção de cartazes publicitários e originais tabuletas e reclames de lojas que demonstram como, já há muitas décadas, o que hoje é tradicional dava sinais claros de arrojada modernidade criativa.

“Lojas do Porto – História e Identidade” pode ser visitada de segunda-feira a domingo entre as 10 e as 13 e entre as 14 e as 17,30 horas, até 20 de abril. Encerra aos feriados. Entrada livre.

Arquivo Municipal de Vila Nova de Gaia – Exposição A condição da Mulher e a evolução da Moda entre as duas guerras mundiais através do jornal O COMÉRCIO DO PORTO

A condição da Mulher e a evolução da Moda entre as duas guerras mundiais através do jornal O COMÉRCIO DO PORTO no Arquivo Municipal de Vila Nova de Gaia.
Esta exposição conta com uma abordagem deste periódico e incidiu sobre o levantamento e tratamento sistemático de uma secção intitulada “A Moda”, publicada semanalmente no jornal nortenho O Comércio do Porto, a partir de 29 de janeiro de 1920 e que, depois de 28 de março de 1937 assume a designação de “Da Mulher e da Moda”, passando a ser assinada por Maria Júlia [Ribeiro].
O Comércio do Porto constituiu, à data da sua suspensão (2005), o jornal mais antigo da imprensa continental (o mais antigo é o Açoriano Oriental). Esta publicação periódica, que contou com 151 anos de vida, é, atualmente, um repositório inalienável da história narrativa da cidade do Porto e da região Norte, perspetivando as interações diacrónicas entre o núcleo urbano e todo esse vasto hinterland mais ou menos rural.
Para além do destaque a este fundo documental esta exposição é um bom exemplo de como os arquivos podem contribuir para a Igualdade de Género.

13 Congresso Nacional BAD – Fundão – Portugal

Realiza-se desde o dia 24 de outubro e até dia 26 o 13º Congresso Nacional BAD (Associação Portuguesa de arquivistas, bibliotecários e documentalistas de Portugal), na cidade do Fundão: https://www.bad.pt/eventos/13congresso/

O Congresso de 2018, reúne um vasto painel de especialistas portugueses e de peritos oriundos dos principais centros de inovação europeia, debaterá os desafios e oportunidades que o futuro da ciência da informação apresenta para o país, para as comunidades locais e para os profissionais.
Conta com a participação de especialistas da Informação tais como, Jaime Melo Baptista, engenheiro civil especializado em engenharia sanitária, é Investigador-Coordenador do LNEC, Sebastian Barteleit responsável, desde 2002, pelas atividades de construção do Bundesarchiv em Berlim, David Lankes professor e Diretor da Biblioteca da Escola de Ciência e Informação, na Universidade da Carolina do Sul, Jordi Serra Serra professor e investigador da Faculdade de Biblioteconomia e Documentação da Universidade de Barcelona (UB), Frank Huysmans professor universitário no departamento de Ciências da Comunicação da Universidade de Nijmegen, Isabel García-Monge chefe da Área do Catálogo Coletivo do Património Bibliográfico, da Subdireção Geral de Coordenação de Bibliotecas – Direção Geral de Belas Artes e Bens Culturais e de Arquivos e Bibliotecas – Ministério da Educação, Cultura e Desporto e Luís Raposo, arqueólogo, membro da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM: Presidente da Direcção entre 2009 e 2014.

O Congresso irá aprofundar as seguintes quatro linhas temáticas:
Memória, Património e Ciência Aberta
– Acesso aberto, dados abertos, ciência cidadã
– Identidade, evidências, preservação
– Conhecimento, humanidades digitais
– Indicadores, métricas
Redes, Comunidades e Literacias
– Cidadania, diálogo intercultural, inclusão
– Aprendizagem, competências digitais, métricas
– Redes de arquivos, redes de bibliotecas, redes na comunidade
Direito à Informação
– Profissão, regulação
– Proteção de dados, privacidade, partilha, armazenamento de conteúdos
– Direito ao esquecimento
– Liberdade de expressão, censura
– Direito de autor
Tecnologia e Infraestrutura
– Reutilização, padrões, reprodutibilidade (de software, de dados, de tipos de conteúdo)
– Integrações entre sistemas, mudança de ambientes (técnicos), fusão de distribuidores de conteúdos
– Software aberto, software proprietário
– Interoperabilidade, segurança da informação

Em breve as atas estarão disponíveis no site da Associação: https://www.bad.pt/noticia/category/associacao/

Mostra documental da Escola do Torne (Vila Nova de Gaia – Portugal)

Mostra documental da Escola do Torne (Vila Nova de Gaia – Portugal) – Cooperação arquivística entre o Município de Gaia e a Igreja Lusitana (comunhão anglicana: um exemplo de partilha integrada de interesse público)

A promoção e a salvaguarda dos interesses próprios das populações, designadamente, no domínio do património e cultura, constituem um dever legal a cargo dos municípios, competindo-lhes assegurar, em parceria ou não, o levantamento, classificação, administração, manutenção, recuperação e divulgação do património natural, cultural, paisagístico e urbanístico do município, assim como apoiar e comparticipar atividades de natureza cultural que se revistam de interesse para o Concelho.

O Município de Vila Nova de Gaia, ciente desta obrigação e conhecedor do elevado valor cultural e histórico que o património arquivístico da Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica (ILCAE) tem para o Concelho, estabeleceu com esta instituição privada, em finais de 2016, um acordo de colaboração que se traduz numa parceria para a valorização do respetivo acervo arquivístico.

No âmbito desta parceria, e inseridos no Plano Estratégico da ILCAE de 2018, realiza-se hoje dia 20 de setembro de 2018 uma exposição histórico-documental intitulada “Torne – um lugar na história (1868-2018)”.  Esta exposição destacará os principais aspetos do serviço educativo e social que esta instituição vem prestando à população de Gaia desde os tempos do seu fundador Diogo Cassels (1844-1923).

As instituições públicas têm vindo nos últimos anos a sensibilizar os organismos privados que dispõem de arquivos de interesse relevante para a necessidade de procederem à respetiva divulgação, não apenas enquanto instrumentos de promoção cultural, mas também enquanto garantes de valores democráticos. Assim, o objetivo deste acordo foi a valorização arquivística do espólio da ILCAE, cuja natureza intrínseca foi considerada de “interesse público”, na medida em que a documentação que possui viabiliza o estudo e conhecimento da história e identidade da região. Daqui decorre o cariz desta iniciativa que poderá servir como exemplo para outras instituições partilharem o seu saber, o seu património arquivístico que é de todos e para todos!

WG 2.1 @ Arquivo Distrital de Braga – Um arquivo na História da mais recente das tecnologias

Em novembro de 2017 o Arquivo Distrital de Braga recebia em depósito um conjunto de documentação de arquivo proveniente do grupo de trabalho WG2.1 – Algoritmi Languages and Calculi, da IFIP (International Federation foi Information Processing).

Este arquivo cobre um período fulcral da história do “software” de um grupo que se encontra, ainda, em plena atividade. O WG2.1 da IFIP desenvolveu, ao longo dos anos 60 e 70 do século passado, as linguagens e os princípios científicos que norteiam ainda hoje a programação de computadores. Um trabalho cuja relevância histórica veio a ser reconhecida com a atribuição de várias “Turing Awards” a membros desse grupo.

Apresentação do WG2.1

Hoje dia 20 de junho, pelas 16:30 horas, no Arquivo Distrital de Braga (R. do Abade da Loureira, Braga) terá lugar a apresentação desta documentação. A apresentação estará a cargo dos professores Pedro Henriques (Departamento de Informática da UMinho – DIUM) e José Nuno Oliveira (DIUM/INESC-TEC), membro do WG2.1, da arquivista Alexandra Vidal, responsável pela descrição arquivística, e do diretor do ADB, António Sousa.

O tratamento da documentação, em tão curto espaço de tempo, só foi possível com o generoso apoio da empresa Primavera Software e do seu CEO Eng. Jorge Batista que estará presente neste evento. Este evento tem ainda o apoio do INESC-TEC.

A associação ao ADB da Primavera Software e do INESC-TEC na valorização de um acervo da área técnica e científica em que desenvolveu atividade tem uma importância especial quando se perfazem 30 anos de uma relevante colaboração entre o Departamento de Informática da UMinho e o Arquivo Distrital de Braga, que recebeu este fundo no ano em que completava o seu centenário.

O inegável papel que o “software” tem nos dias de hoje – e que mais terá com o advento da I4.0 – justifica que estudemos este fenómeno, as suas origens e, em particular, a sua história, para conhecermos a sua evolução e desenvolvimento e compreendermos o seu impacto na nossa sociedade.

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