preservação

“Progrediu-se imenso nas últimas décadas, em especial já neste século, e com os avanços que as novas tecnologias permitiram alcançar. Mas ainda há muito a fazer”: Entrevista com Maria do Rosário Morujão

Entrevistamos Maria do Rosário Morujão historiadora e professora Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde se doutorou em História da Idade Média.

(Archivoz) A carreira de historiadora é indissociável da pesquisa em arquivos. No seu vasto percurso como vê a evolução dos arquivos em Portugal?

(Maria do Rosário Morujão) Não há comparação possível entre a situação que conheci no início da minha carreira e a actual. Comecei a frequentar arquivos no final dos anos 80, quando a Torre do Tombo estava ainda em S. Bento e os leitores não cabiam na sala de leitura; os arquivos municipais eram, na sua maioria, inexistentes, os catálogos e inventários eram em número ainda mais reduzido do que são hoje, não havia digitalizações, muito menos documentos reproduzidos online. Progrediu-se imenso nas últimas décadas, em especial já neste século, e com os avanços que as novas tecnologias permitiram alcançar. Mas ainda há muito a fazer, nomeadamente no que toca aos instrumentos de descrição, tão importantes para os investigadores, e na conservação e restauro, nomeadamente dos selos que autenticam os documentos.

(Archivoz) Nos últimos anos as disciplinas de paleografia e diplomática tornaram-se praticamente residuais ou inexistentes nos curricula das universidades. Faz sentido este desvanecimento ou não?

(MRM) Não faz qualquer sentido, e estou convicta de que iremos pagar caro por essa ausência, que se faz sentir tanto nos cursos de História como nos de Ciência da Informação. Não concebo arquivistas ou bibliotecários que nunca tenham contactado com documentos e livros antigos, que não tenham noções de paleografia, diplomática, codicologia, história do livro. Não é apenas a capacidade de ler os documentos medievais, modernos ou até mesmo contemporâneos que deste modo se perde – perdem-se todas as outras aprendizagens acerca da escrita, da concepção e redacção de um acto escrito, da forma como um livro manuscrito era elaborado, desde a escolha e preparação do suporte até ao resultado final.

Também não concebo que um historiador que se dedique a séculos anteriores ao século XIX não possua sólidos conhecimentos paleográficos. Como é que acede às fontes, se não os tiver?

Na Universidade de Coimbra, existe de momento apenas uma cadeira de Paleografia e Diplomática, não obrigatória. Alegra-me verificar que, todos os anos, o número de alunos que escolhe esta unidade curricular é elevado, demonstrando como os próprios estudantes reconhecem a sua importância.

(Archivoz) Nos últimos anos tem-se dedicado ao Projecto SIGILLVM PORTVGALIAE (Corpus de selos portugueses). Pode-nos explicar em que consiste?

(MRM) Este projecto, como o nome indica, visa a construção de um corpus dos selos usados em Portugal durante o Antigo Regime. Começou em 2014, com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian e o apoio do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, onde se encontrava sediado, dirigindo-se então apenas aos selos do clero secular medieval português. Finda essa etapa, e apesar da ausência de novo financiamento, temos continuado a trabalhar, alargando o âmbito do projecto, tanto no que toca à cronologia como ao universo sigilográfico abrangido. O seu objectivo principal é fazer um levantamento sistemático dos selos que existem nos arquivos, bibliotecas e museus portugueses (e dos selos portugueses que existem no estrangeiro), e sempre que possível também nas mãos de particulares, para criar uma base de dados disponível online (quem estiver interessado encontra mais informações e o acesso à base de dados em http://portugal-sigillvm.net/). Só assim se conhecerá a realidade sigilográfica portuguesa, que os dados já recolhidos apontam ser alarmante: mais de 50% dos selos do clero secular inventariados não existem mais, e a maioria dos que subsistem não estão em bom estado. Podemos afirmar, sem qualquer exagero, que os selos são um património cultural em risco que necessita com urgência de salvaguarda. Pretendemos, por isso, também, desenvolver os cuidados com a conservação e restauro dos selos, áreas nas quais Portugal não tem conservadores-restauradores especializados.

(Archivoz) A sigilografia também é uma área a que se tem dedicado. Na sua perspectiva qual o panorama português e europeu em relação a esta disciplina?

(MRM) Trata-se de uma disciplina em pleno crescimento, embora continue sempre como um nicho de investigação a que se dedica um número reduzido de pessoas, tanto em Portugal como por toda a Europa. A sigilografia conheceu desde as últimas décadas do século XX uma grande renovação, iniciada pelo conhecido historiador francês Michel Pastoureau. Nos últimos anos, os selos têm sido tema de grandes exposições, de reuniões científicas multidisciplinares e de projectos de investigação, mostrando como o reconhecimento da sua importância enquanto testemunho do passado está a aumentar. E, de facto, vemos os selos a ser cada vez mais estudados nas suas múltiplas vertentes, tanto a diplomática como a iconográfica, a simbólica, a heráldica, a artística, a técnica. Estuda-se a concepção do poder de reis, rainhas, senhores a partir dos seus selos. Analisam-se os selos enquanto símbolos de identidade, tanto de indivíduos como de grupos sociais. Fazem-se investigações acerca do vestuário, dos paramentos, do armamento neles representados, ou acerca da evolução dos navios, tantas vezes utilizados na iconografia sigilar que se fala mesmo de selos de tipo náutico. Há neste momento um projecto internacional fascinante na área da biologia acerca das abelhas e da sua evolução ao longo dos séculos, que tem na cera dos selos uma fonte essencial; e terminou há pouco um outro que estuda as impressões digitais preservadas nos selos, no qual colaboraram especialistas forenses e medievalistas. Os selos também podem contribuir para a história dos têxteis e dos pigmentos usados para tingir, já que grande parte deles tem suspensões têxteis que são testemunhos datados com precisão da produção de tecidos coeva, que eram com frequência tingidos, tal como sucedia com a própria cera. Há um manancial imenso de possibilidades de investigação em torno dos selos que se está a desenvolver cada vez mais.

(Archivoz)  Agora, uma provocação: os arquivos têm interesse ou consciência da importância da salvaguarda dos selos contidos na documentação?

(MRM) Diria que têm uma consciência crescente dessa importância, em boa medida graças ao projecto SIGILLVM e à sensibilização para a necessidade da sua salvaguarda que temos levado a cabo. Todos os arquivos que contactámos para serem objecto do nosso projecto aderiram a ele com entusiasmo. Nota-se, também, que passou a haver outro cuidado com a conservação preventiva dos selos e até com algumas operações básicas de restauro. Também passaram a reproduzi-los com qualidade ao fazer digitalizações dos documentos, o que antes do projecto se iniciar não sucedia. Existe um forte interesse, por exemplo, em que seja organizado um curso de conservação e restauro de selos, leccionado por especialistas estrangeiros (faltou-nos até agora o financiamento para levar a cabo esta iniciativa, mas penso que em breve será possível concretizar). Para além dos arquivos, existe também interesse por parte de particulares, que entram em contacto conosco por possuírem matrizes sigilares que gostariam de ver identificadas, o que permite aumentar o universo das matrizes conhecidas, que constituem uma vertente da sigilografia ainda relativamente pouco explorada entre nós.

(Archivoz)  Em relação aos seus projectos futuros que sempre envolvem os arquivos, pode revelar algumas das suas perspectivas futuras de investigação?

(MRM) Nos próximos tempos conto continuar a trabalhar nas minhas áreas de eleição: o clero secular, nomeadamente o da Sé de Coimbra medieval, alargando as investigações que serviram de base ao meu doutoramento; Cister feminino, em especial o mosteiro de Celas, tema da minha dissertação de mestrado ao qual regresso com regularidade; a diplomática e a edição de documentos; os selos, que deixei para o final fazendo jus ao provérbio que diz que os últimos serão os primeiros. Os selos não são apenas um tema de estudo, tornaram-se uma verdadeira paixão que pretendo continuar a cultivar.


Entrevista realizada por: Alexandra Maria Silva Vidal

Formar quadros: profissionais e profissão na preservação audiovisual

Em 1995, Ray Edmondson lançava em um artigo[1] a seguinte indagação: Is Film Archivng a Profession?[2]. Evocando a pergunta no próprio título do artigo, o autor elenca ao longo do trabalho os elementos que considerava essenciais e que faltariam à arquivística audiovisual para sua consolidação e reconhecimento como profissão. Edmondson parte da própria definição do termo “profissão”, descrevendo-o como:

(…) um campo de trabalho remunerado que envolve preparação e treinamento a nível universitário (…) envolve habilidades e experiência diversas, visão global, padrões e ética. Implica desenvolvimento contínuo de sua base de conhecimento definidora e de seus praticantes individuais.[3]

Ainda neste texto, Edmondson faz uma primeira definição do campo da arquivística audiovisual, problematizando a documentação que a área abrangeria e distanciando-se de uma noção que consideraria esta como um segmento da arquivística/arquivologia[4]. Para o autor, esta delimitação da área de atuação dos arquivistas audiovisuais é importante para que a imagem pública da profissão ganhe maior clareza, assegurando que estes profissionais tenham seus direitos devidamente garantidos.

Atualmente, Edmondson é um dos profissionais mais respeitados da área e sua obra Filosofia e princípios da arquivística audiovisual a principal referência no assunto – que vêm ganhando relevância crescente na medida em que a fragilidade e necessidade de preservação dos suportes audiovisuais tornam-se cada vez mais evidentes.

Para refletir estas questões foram entrevistados profissionais de sete instituições que possuem acervos de natureza audiovisual, procurando, nas respostas, relatos de experiências e narrativas que trouxessem o aprendizado individual de cada profissional e permitisse o enriquecimento desta perspectiva global que pretendia dar sobre o assunto.

O resultado final desta pesquisa foi o reconhecimento de três blocos temáticos principais: “Aprendizados”; “Desafios” e “Perspectivas”. Estes refletem, de certo modo, a trajetória média do profissional da preservação audiovisual, compondo assim, cada um com as questões que lhes dizem respeito, um perfil geral desses profissionais. Aqui tratarei brevemente das percepções apreendidas nestes três eixos e o impacto de cada um nas atividades da área da arquivística audiovisual.

Profissão e Profissional

O surgimento da preservação dos documentos audiovisuais está intrinsicamente associada à história de sua produção, remetendo suas origens desde os anos de 1930, quando instituições começaram a armazenar filmes, que originalmente eram distribuídos comercialmente, para garantir seu legado artístico e cultural. O tema ganha relevância no âmbito internacional principalmente a partir das Recomendações da UNESCO, em 1980, que passa a reconhecer a importância dos acervos audiovisuais como patrimônio para a herança cultural global. Com a tomada de consciência de que os arquivos audiovisuais do século XX corriam risco de desaparecer, é trazida à ordem do dia a demanda do capacitamento profissional para este trabalho[5].

Neste cenário instituições como a FIAF, FIAT, IASA, ICA e a IFLA principiam a promover eventos e seminários com o objetivo de disseminar os conhecimentos acumulados nas últimas décadas e surgem organizações com o objetivo de atender as necessidades profissionais e individuais desta força de trabalho, como a AMIA (Association of Moving Image Archivists), fundada em 1991, e a SEAPAVAA (South Asia Pacific Audio Visual Archives Association), fundada em 1996, consolidando o processo.

Em 1995, quando lança a provocação, Edmonson escreve em um cenário no que a arquivística audiovisual já é compreendida como um campo que abarca todos os aspectos da guarda e recuperação de documentos audiovisuais, bem como a administração dos locais de sua guarda e das organizações responsáveis pela execução dessas tarefas.

No Brasil, a implementação de medidas em prol da conservação de acervo, nestas instituições, acontece de maneira mais sistemática somente a partir de meados dos anos 1970, com a Cinemateca Brasileira em São Paulo e a Filmoteca do MAM-RJ como figuras chave deste processo. O movimento toma corpo de forma ativa nos Anos 2000, momento a partir do qual os profissionais que atuam na área começam a se mobilizar e incentivar, sobretudo, as iniciativas de ampliação da produção teórica e técnica[6]. Em 2006 nasce a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, festival no qual ocorre em paralelo o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, que reúne anualmente os representantes de dezenas de instituições responsáveis pela preservação do patrimônio audiovisual nacional. Ao final de cada Encontro é elaborada uma carta, disponibilizada no site do evento. As Cartas de Ouro Preto funcionam como um registro do que é deliberado no evento, as considerações, propostas, resoluções, encaminhamentos e demandas que são identificadas e formuladas.

Desdobramento direto dos debates das primeiras edições, durante o terceiro Encontro de Ouro Preto em 2008, é criada a Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) com a missão de “estimular a conscientização e promover o interesse público pela salvaguarda e acesso ao patrimônio audiovisual brasileiro como fonte histórica, cultural artística, educativa e econômica[7]”. A partir de sua criação, a ABPA passa a ter o Encontro sob a sua responsabilidade, ampliando e aprofundando as discussões técnicas e buscando promover maior aproximação do setor de preservação audiovisual com o Estado, estabelecendo, assim, avanços na criação de políticas públicas nacionais para o setor.

Aprendizados

Ao longo do trabalho, cada nova visita deixava mais claro como os conhecimentos exigidos a esse profissional extrapolavam a sua formação original. Assim, ficou evidente a diversidade de formação dos profissionais envolvidos com a preservação dos acervos nas instituições. Essa pluralidade traz à tona duas considerações importantes: não há uma formação específica para a área e a lacuna deixada pela ausência formativa torna-se uma oportunidade profissional para mão de obra oriunda de outras áreas[8].

Muitos começam suas trajetórias na área como estagiários durante a graduação ou como mão de obra temporária, contratados para projetos específicos e aprendem sobre a documentação na prática. A aprendizagem e formação são relacionadas, porém, estão dissociadas na prática da profissão da arquivística audiovisual no Brasil. A falta de cursos não forma quadros para substituir os profissionais que se aposentam, na mesma medida é preciso tempo para treinar os novos contratados que chegam às instituições ainda “crus” e vindos de formações diversificadas. Este tempo hábil para a adaptação e treinamento dos profissionais nem sempre acaba sendo viável.

Outro ponto chave aqui é a rápida obsolescência da bibliografia especializada, que não é capaz de acompanhar a incessante renovação tecnológica com a qual o arquivista audiovisual deve lidar cotidianamente. Muitas vezes esta bibliografia não dá conta de responder às questões que surgem, ou por estar desatualizada, ou por ser específica demais, como no caso de manuais técnicos produzidos pelas próprias instituições: nem sempre o que funciona para uma, pode servir para a outra. O intercâmbio de experiências entre instituições e profissionais acaba sendo o principal recurso informativo para os trabalhadores da preservação audiovisual. Nesse sentido, o surgimento de novos espaços para o debate especializado sobre o tema e ações como a publicação do Plano Nacional de Preservação Audiovisual pela APBA em 2016[9] são fundamentais na instrumentalização plena das atividades do arquivista audiovisual no Brasil.

Desafios

No cotidiano, o trabalho diário depende, em grande medida, da instituição na qual o profissional atua. Fatores como disponibilidade de recursos e equipamentos, infraestrutura de armazenamento, manutenção da equipe e, principalmente, capacidade de planejamento em longo prazo são diretamente afetados pela cultura organizacional e a natureza da instituição.

O principal desafio, no entanto, é a questão tecnológica. Ligada de maneira intrínseca ao desenvolvimento das tecnologias, a preservação audiovisual tem que adaptar-se constantemente e repensar suas estratégias e técnicas, frente às mudanças de suporte, armazenamento e reprodução. Para Edmondson, essa urgência da atuação do arquivista audiovisual foi um dos fatores responsáveis pelo atraso em determinar questões filosóficas, teóricas e de reconhecimento profissional para a área. Problemáticas essas que acabaram por ficar em segundo plano de prioridades, frente às dificuldades diárias que a profissão demanda.[10]

Cada mudança tecnológica tem impacto em toda a cadeia produtiva, mas este impacto não está apenas na esfera da produção. Na preservação dos meios audiovisuais o impacto destas transformações tem um efeito devastador[11]. No atual contexto, o mundo digital, a digitalização é um processo inevitável e cada vez mais importante para a preservação audiovisual.  Não apenas como medida técnica, mas principalmente pela tendência das aquisições mais recentes serem nato-digitais, ou seja, geradas digitalmente e sem um correspondente analógico tangível. Estes procedimentos ainda estão em constante debate e apresentam uma série de questões fundamentais para o profissional, como a migração de suportes e o armazenamento do conteúdo digital. A questão digital tornou-se um desafio contínuo para o profissional que atua nestes acervos.

Perspectivas

A maior parte dos profissionais entrevistados no trabalho tinha longo tempo de casa nas respectivas instituições em que atuam, no entanto preocupa a falta de continuidade dos trabalhos realizados nos acervos. Da mesma forma que serviu de porta de entrada para muitos destes profissionais, a maior parte do tratamento destes acervos se dá por meio de projetos que contratam mão de obra temporária e tratando de questões pontuais, quando deveriam abarcar o processo de preservação como um todo e de forma contínua.

Isto acaba levando a uma falta de perspectiva, o que leva muitos profissionais a mudar de campo de atuação. A questão da formação é um dos principais fatores, além do econômico, uma vez que no Brasil não há cursos regulares específicos sobre o tema e os poucos oferecidos, em geral, exigem investimento financeiro expressivo, que o profissional não tem condições de arcar.

Se por um lado essa instabilidade profissional marca as últimas décadas do campo, Inês Aisengart aponta que a geração pós os anos 2000 teve “significativa atuação política”, sendo fundamental na “ampliação e o estabelecimento de políticas de preservação audiovisual, incentivo de seu ensino e melhoria das condições de trabalho”[12].

Considerações Finais

A questão da memória e do que deve ser preservado é algo extremamente atual. Sobre os meios audiovisuais, Jurandyr Noronha na década de 1940 já apontava que se trata de um “assunto da maior complexidade” e do qual não teria a “pretensão de o haver esgotado”[13] em seu texto, um dos primeiros em que se afirmava a necessidade de se fazer a prospecção do cinema nacional, encarado como “patrimônio nacional”. Hoje, após um longo caminho, a atividade do arquivista audiovisual é reconhecida como um campo distinto de atuação profissional, abrangendo padrões éticos e de conservação, melhores práticas de gestão de coleções, pesquisa histórica, exibição pública e interpretação de coleções e conservação cultural. No Brasil, as novas gerações têm avançado no tema, padronizando e sistematizando procedimentos e normas e ampliando o debate e a troca de experiências.

Trata-se de uma frente de trabalho crítica, que não tem tempo a perder e que necessita cada vez mais de profissionais empenhados e qualificados para garantir a preservação  de uma documentação complexa e extremamente relevante para a cultura contemporânea. Reconhecer estes profissionais e garantir a continuidade de seu trabalho é parte fundamental para a preservação dos documentos audiovisuais.

Referências Bibliográficas

ABPA. Plano Nacional de Preservação Audiovisual. 2016. Disponível em: <http://www.abpreservacaoaudiovisual.org/site/images/banners/PNPA.pdf> Acesso em 19 de janeiro de 2018.

COELHO, Maria Fernanda Curado. A experiência brasileira na conservação de acervos audiovisuais: um estudo de caso. 2009. Dissertação (Mestrado em Estudo dos Meios e da Produção Mediática) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27153/tde-19112010-083724/pt-br.php> Acesso em: 07 de outubro de 2016.

COSTA, Silvia Ramos Gomes da (Silvia Franchini). Ondas de destruição: a enfermidade do artefato tecnológico e o desafio da preservação audiovisual. 2012. Dissertação (Mestrado em Memória Social). UNIRIO, 2012.

EDMONDSON, Ray. Filosofia e princípios da arquivística audiovisual. Rio de Janeiro: ABPA; Cinemateca do MAM-RJ, 2013.

_________________. Audiovisual Archiving: philosophy and principles. Paris: Unesco, 2004.

_________________. Is film archiving a profession? In Film History, Vol. 7, Nº3, Film Preservation and Film Scholarship. 1995. pp. 245–255. Disponível em: JSTOR, <www.jstor.org/stable/3815091> Acesso em: 20 de janeiro de 2018.

LINDNER, Maria Laura Souza Alves Bezerra. A Unesco e a preservação do patrimônio audiovisual. In: ENECULT – Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura. V, Anais, Salvador: Ufba, 2009. (CD-Rom).

MENEZES, Ines Aisengart. Depoimentos. In: CINEOP, 9. CATÁLOGO, 2014. p. 133-135.

NORONHA, Jurandyr. In: A Cena Muda. Rio de Janeiro, n. 28, 1948. Disponível em: <http://www.bjksdigital.museusegall.org.br/busca_ revistas.html>.Acesso em: 19 de janeiro de 2018.

ROCHA, Felipe. Projetando memórias: desafios e perspectivas da arquivística audiovisual como profissão. Monografia; (Aperfeiçoamento/Especialização em Gestão Arquivística) – Escola Pós Graduada de Ciências Sociais da FESPSP; Orientador: Maria Fernanda Curado Coelho; 2016. Disponível em: <http://biblioteca.fespsp.org.br:8080/pergamumweb/vinculos/000006/000006a0.pdf>. Acesso em: 19 de janeiro de 2018.

UNESCO. Programa Memória do Mundo: Diretrizes para a salvaguarda do patrimônio documental. Elaborado por Ray Edmondson. Paris. 2002. Disponível em: <http://www.unesco.org.uy/ci/fileadmin/comunicacion-informacion/mdm.pdf> Acesso em: 20 de outubro de 2016

________. Mensagem da UNESCO para o Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual. 2014. Disponível em: <http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/unescos_message_for_world_day_for_audiovisual_heritage>. Acesso em: 22 de outubro de 2016.

[1] Publicado na revista norte-americana Film History, ligada à Universidade de Indiana

[2] Em tradução livre: “Seria a arquivística audiovisual uma profissão?”

[3] EDMONDSON, 1995, p. 245-246.

[4] “Independentemente do grau de seu reconhecimento acadêmico ou oficial atual efetivo, a arquivística audiovisual será tratada aqui como uma profissão com seus direitos específicos. Donde, não será encarada como um subconjunto especial de uma outra profissão existente como, por exemplo, a biblioteconomia e a museologia – também profissões de coleta e conservação da arquivística clássica –, embora estreitamente relacionada a elas”. (EDMONDSON, 2013. p. 46)

[5] O diagnóstico encontrado na descrição do Programa Memória do Mundo da UNESCO considera que “considerável quantidade de patrimônio documental já está definitivamente perdida” (UNESCO, 2002, p. 9)”

[6] Em sua fala, Inês Isengart destaca dentre estes casos: a pesquisa e o blog de Rafael de Luna (http://preservacaoaudiovisual.blogspot.com); a monografia de Natália de Castro Soares; a dissertação e blog de José Quental (http://cinematecasmundoafora.blogspot.com); a pesquisa e o blog de Lila Foster (http://nitratoacetatopoliester.wordpress.com). MENEZES, 2014, p. 135.

[7] Retirado do site da ABPA (<http://www.abpreservacaoaudiovisual.org/>). Acessado em: 26 de outubro de 2016.

[8] Edmondson ressalta essa pluralidade já na origem da atividade: “A arquivística audiovisual originou-se de vários contextos institucionais. Na falta de alternativas, foi, e ainda é, natural que os que a praticam encarem e interpretem seu trabalho à luz de suas disciplinas formadoras ou de suas instituições-mães. Essas disciplinas incluem, em sua variedade, formação em biblioteconomia, museologia, ciência de arquivos, história, física e química, administração e as práticas técnicas envolvidas nas atividades de rádio e teledifusão, registro de imagens e sons. Podem excluir também algum tipo de treinamento formal, ou seja, podem ser fruto uma formação autodidata e entusiasta.” (EDMONDSON, 2013, p. 54).

[9] Disponível em: http://www.abpreservacaoaudiovisual.org/site/images/banners/PNPA.pdf

[10] Coletivamente nós temos um trabalho urgente, e estamos fazendo isto com recursos insuficientes – por vezes irremediavelmente insuficientes.  Estamos acostumados a ensinar o pessoal novo no trabalho – foi como aprendemos, claro.  (…) A crescente literatura profissional concentrou-se mais na prática no que na teoria – o “como” em vez do “porquê” – para os quais houve uma necessidade óbvia e urgente (EDMONDSON, 1995, p. 247).

[11] O crítico, historiador e fundador da Cinemateca de Toulouse, Raymond Borde, conceituou o termo “ondas de destruição” para explicar os ciclos de descarte e desaparecimento de obras da indústria cinematográfica: “Destruição legal, normal, encorajada, obrigatória e triunfante: vem desde as origens e vou estabelecer sua história. Mas eu gostaria que fosse entendido em que medida a noção de arquivo cinematográfico é inseparável de uma prática cotidiana de descarte (Apud COSTA, 2012, p. 48)”.

[12] MENEZES, 2014, p. 134.

[13]  A Scena muda, n. 28, 13 de julho              de 1948, p. 33.