Mercado de trabalho

“Com o COVID-19, as empresas foram obrigadas a modificar as suas formas de trabalhar e os seus processos para conseguir sobreviver” Entrevista com Elaine Maciel criadora do blog Aluna de Arquivo

(Archivoz) Qual foi sua trajetória na Arquivologia?

(EM) No Ensino Médio, tive a oportunidade de estagiar em empresas e instituições que possuiam departamentos de arquivos e os profissionais eram super atenciosos e adoravam ensinar o ofício. Por ser muito detalhista e organizada (chata mesmo, rs), alguns colegas e familiares me incentivaram a escolher a Arquivologia como profissão, hoje sei que foi a escolha certa para a minha vida. No primeiro semestre da faculdade, eu já estava fazendo o primeiro estágio na área e aprendendo no dia a dia com outros profissionais. Essa troca foi muito importante, os vários estágios que participei e profissionais que conheci, formaram a profissional que sou hoje.

(Archivoz) Como surgiu a ideia de criação do Blog Aluna de Arquivo?

(EM) Primeiro temos de lembrar que em 2008 não tinhamos smatphones e nem a internet como temos hoje. Quando eu buscava no Google o assunto arquivologia, não conseguia obter quase nada de informação. As notícias, eventos e vagas era normalmente divulgadas nos murais da universidade e muitas vezes não ficavam lá por muito tempo (as pessoas pegavam os papéis e levavam com elas, rsrsr). Na época, eu já era blogueira e decidi criar o Blog Aluna de Arquivo – Arquivista em Construção. Ele foi criado como um espaço destinado ao compartilhamento de conhecimento das áreas de Arquivologia, Documentação e Ciências da Informação (Biblioteconomia, Museologia, etc.). Tendo o foco no desenvolvimento profissional, com o objetivo de divulgar notícias e conhecimentos da área, além de oportunidades e também como uma forma de unir os colegas de profissão. Desde então, se tornou meu arquivo pessoal e trabalho voluntário, uma nova forma de conhecer os profissionais e trocar conhecimento. Nele, sempre busquei divulgar notícias, eventos (congressos, palestras, cursos, etc.), vagas de empregos, vagas de estágios, concursos públicos (e material de estudo), além de assuntos sobre tecnologia, dicas sobre a carreira, entre outros. O seu objetivo sempre foi informativo e não nos responsabilizamos pelas informações divulgadas. Atualmente, centralizo as postagens no LinkedIn.

(Archivoz) Considera que a função dos Arquivos, e consequentemente dos arquivistas tem mudado no transcurso do tempo?

(EM) Sim, acredito que a mudança é grande, assim como os novos desafíos. No início, estagiei e trabalhei em empresas com grande volume documental físico. Nossa, eu passava horas e horas fazendo arquivamento e desarquivamento manual em grandes arquivos deslizantes. Todo o volume de trabalho da empresa era medido pela quantidade de “papel impresso”. Hoje, tenho o dobro do trabalho em questão de quantidade, mas, agora faço tudo sentada em frente a um computador. O suporte mudou, mas o volume de trabalho não. Hoje temos de lidar com as novas tecnologias e sua obsolescência, grandes desafios, que mudam a cada dia.

(Archivoz) Que soluções acredita para melhorar a posição do Arquivista no Mercado de trabalho?

(EM) Acho que a principal solução é o aprendizado constante, não podemos parar no tempo, assim como qualquer profisisonal, temos de buscar atualização constante. Estudar outras línguas, aprender a utilizar as novas tecnologias e tambem soft skills. Além de fazer netwoorking com outros profissionais, visando a troca de informação e crescimento mútuo.

(Archivoz) A pandemia do novo COVID-19 tem sido um divisor de águas na história da humanidade, de que forma o arquivo vem sendo afetado?

(EM) Com o COVID-19, as empresas foram obrigadas a modificar as suas formas de trabalhar e os seus processos para conseguir sobreviver. Desse modo, os profissionais da informação estão sendo vistos como peças chaves para o sucesso do negócio, auxiliando na gestão do conhecimento e dos documentos. Ajudando com a digitalização dos processos e os desafios das mudanças ocasionadas pela alteração do suporte do documento físico para o digital.

(Archivoz) Você considera o Brasil referência em Arquivologia? Se não o que falta?

(EM) Considero sim o Brasil como referência na Arquivologia, nem tenho como contabilizar quantos ótimos profissionais temos tanto das áreas públicas quanto privadas. Temos espaço para todos trabalharem nas áreas que se identificarem. Na UFF tive a oportunidade de ter professores super dedicados e engajados em fortalecer a nossa área, tenho muito orgulho da nossa profissão. Mas é claro que nem tudo é perfeito, sinto falta de maior integração dos profissionais da área.

(Archivoz) Que consolo você dar para os colegas arquivistas neste momento de crise em todas as áreas?

(EM) Desejo que todos não percam a fé em si mesmos e no futuro. Essa fase irá passar e os que conseguirem continuar otimistas, atualizados e em busca de conhecimento terão retorno de sua dedicação. Respeito muito meus colegas e acredito que a união faz o sucesso de nossa profissão. Por isso, por mais que a rotina me tome muito tempo, ainda tento manter o #blogalunadearquivo nas redes, como o LinkedIn, visando a união dos profissionais.

 


Entrevista realizada por: Débora Vilar Melo

“No mercado de trabalho atual, vejo que há poucas vagas para Arquivista. E infelizmente, ainda nos deparamos com obstáculos como vagas de Arquivista sendo ofertada sem a exigência do nível superior ” Entrevista com Juliana Honorato

(Archivoz) Primeiramente gostaria de agradecer-te por ter aceitado nosso convite. Segundamente, gostaria de saber quem é a Arquivista Juliana? Como surgiu seu interesse em estudar Arquivologia? Onde você se formou? Como foi seu percurso de formação?

(JH) Como Arquivista, uma área que me desperta bastante interesse é sobre os sistemas que auxiliam na disponibilização e na recuperação da informação e dos documentos.

Meu primeiro contato com a Arquivologia foi em meu primeiro emprego, em 2012, como Auxiliar de Arquivo no Arquivo Judiciário da Justiça Federal. Na época, já aguardava a divulgação da nota do Enem, que havia feito no ano anterior, para escolher o curso de graduação que iria ingressar.

Como estava em dúvidas sobre em qual curso ingressar, pois já trabalhava e tinha em mente escolher um curso no qual pudesse me dedicar, e que não fosse necessário deixar de trabalhar – nem por conta do horário ou da distância -, conversei com meu primo Diogo, na época também universitário, e que estava cursando Arquivologia, na Unirio.

Através da busca por informações sobre o curso, somado à conversa com Diogo e pelo fato de eu já estar a trabalhar na área, decidi me matricular também no curso de Arquivologia, que iniciei em 2012, na Unirio. Conclui o curso em 2019, pois próximo ao final do curso precisei trancá-lo por alguns períodos, por conta do trabalho.

(Archivoz) Sabendo da importância da Educação continuada, tem alguma leitura que você recomenda? Ou práticas para renovar novos saberes?

(JH) Atualmente, tenho lido a literatura de Arquivologia voltada para concursos. O título que recomendo e estou lendo no momento é “Arquivo: Teoria e Prática”, de Marilena Leite Paes.

(Archivoz) Como você vê a formação atual em Arquivologia no Brasil? Você passou por alguma dificuldade trabalhando e cogitou que a formação acadêmica poderia ter preenchido aquela falta?

(JH) Apesar de estar fora do ambiente de formação desde quando terminei a graduação, já à época em que estava concluindo o curso pude perceber que cada vez mais já havia uma integração maior com temas da Arquivologia relacionadas à tecnologia.

A dificuldade que encontrei foi quando estava próximo de encerrar o curso, fazendo a transição de estagiária para uma possível vaga de emprego. Na época, percebi que havia uma escassez de vagas para a área de Arquivologia no mercado de trabalho. E também percebi uma dificuldade de ser contratada por conta de na maioria das empresas em que atuei ter sido em cargo de estagiária, o que para algumas empresas não conta efetivamente como experiência no currículo.

(Archivoz) Que balanço você faz do Mercado de trabalho? Te parece favorável ao Arquivista?

(JH) No mercado de trabalho atual, vejo que há poucas vagas de Arquivista. E infelizmente, ainda nos deparamos com obstáculos como vagas para Arquivista sendo ofertada sem a exigência do nível superior (sendo exigido apenas o ensino médio, por exemplo) e bem abaixo do piso salarial que deveria ser pago para o profissional.

(Archivoz) Para finalizar fazendo um balanço da nova realidade, com a pandemia do novo COVID19, pensa que os arquivos foram capazes de se reinventar?

(JH) Com a pandemia do novo coronavírus, acredito que os arquivos que já vinham caminhando ao lado dos novos recursos tecnológicos, essa relação tenha se estreitando mais, e beneficiado cada vez mais os arquivos. Com muitos dos serviços, tanto públicos quanto privados, fechados por conta da pandemia, a tecnologia se faz aliada nesse momento para atender às demandas relacionadas aos arquivos.