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«Pretende-se uma abordagem profunda ao nível arquivístico e também integrada e estratégica, ou seja, fazendo parte da área da Cultura como uma área que se relacione com as outras áreas da Santa Casa» Entrevista a Nuno Reis, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos

Archivoz teve a honra de entrevistar o Dr. Nuno Reis, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, no ano das comemorações do 521 Aniversário desta instituição, vem dar-nos a conhecer os seus mais recentes projetos na área da cultura, nomeadamente do seu núcleo museológico e arquivo.

(Archivoz) O arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos é um dos pilares da memória da instituição. O que está a ser feito para a sua valorização?

(Nuno Reis) O Arquivo da SCMB tem sido alvo, ao longo dos tempos, de intervenções pontuais ao nível de inventariação do seu acervo.

Agora, pretende-se uma abordagem profunda ao nível arquivístico e também integrada e estratégica, ou seja, fazendo parte da área da Cultura como uma área que se relacione com as outras áreas da Santa Casa, possibilitando uma dinamização interna que, no que lhe concerne, se pretende que seja igualmente voltada para o exterior, com o propósito de contribuir para uma maior fruição cultural no território.

Naturalmente, esta linha de atuação parte da visão que temos, e andará a pari passu quer no plano da comunicação organizacional interna, quer no plano para a área da comunicação em termos mais globais.

(Archivoz) Com a estruturação da área da Cultura como posicionaria em termos estratégicos o Arquivo e o Núcleo Museológico da Santa Casa?

(NR) Como uma área integrada que “comunique” com todas as outras da Santa Casa. O Núcleo Museológico tem muito potencial a vários níveis: histórico, pedagógico, turístico e também de marketing. O arquivo e o núcleo museológico representam a instituição, fazem parte do seu “rosto” e, como tal, assumem também posição dianteira na imagem e acolhimento da Misericórdia de Barcelos.

Como já referi, o posicionamento estratégico da área da cultura está orientado não só para o ambiente interno, mas também para o externo, para a comunidade. A História desta Santa Casa está intimamente ligada à História da nossa região. E até mesmo de um país, em que foi uma das primeiras Misericórdias.

(Archivoz) E a difusão no concelho e região norte pode-nos revelar alguma novidade?

(NR) Neste momento, trabalhamos uma parceria com o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave num projeto multidisciplinar que pretende ser o lançamento do nosso projeto não apenas pela comunidade académica, mas também por áreas que passam pelo turismo e pela gestão. Mas não só, há outras entidades com as quais desenvolvemos contactos e a breve trecho poderemos divulgar mais novidades.

A médio prazo queremos que o arquivo e o núcleo museológico ganhem um lugar de destaque no turismo no concelho e em toda a região e façam parte dos locais turísticos a visitar.

(Archivoz) O arquivo foi recentemente registado como marca “Arquivo Leonor”. Porquê dar um nome a um arquivo?

(NR) Para cada vez mais assumir uma identidade própria, neste caso escolhendo um nome que também presta homenagem à Rainha D. Leonor, ou seja, à fundação das Santas Casas.

(Archivoz) Os esforços são para tornar o “Arquivo Leonor” uma referência no panorama das Misericórdias Portuguesas?

(NR) As misericórdias têm a particularidade de se regerem por princípios comuns desde a sua fundação, isto é, a prática das Obras de Misericórdia corporais e espirituais. No entanto, são entidades independentes umas das outras. Nesse sentido, e como sabemos que muitas ainda não têm o seu arquivo “organizado” gostaríamos de ser referência, lembrando que os arquivos são áreas tão importantes como outras e não são para serem lembradas, apenas excecionalmente! Queremos e estamos no caminho de encarar o espaço do Arquivo Leonor e do Núcleo Museológico como organismos vivos, dinâmicos e integradores.