Casa da Arquitectura

“É indiscutível a importância de recolher acervos de arquitetos e de os garantir para memória futura.”: Entrevista com Nuno Sampaio e Ana Filipe

Entrevistámos Nuno Sampaio, Diretor-Executivo da Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura, e Ana Filipe, Coordenadora do respetivo Departamento de Arquivo e Biblioteca.

(ARCHIVOZ) Gostaria que nos dessem conta do vosso percurso formativo e profissional até chegarem, respetivamente, a Diretor-Executivo da Casa da Arquitectura e Coordenadora do Departamento de Arquivo e Biblioteca desta instituição.

(Nuno Sampaio) Iniciei a minha atividade profissional como arquiteto no atelier “Nuno Sampaio – Arquitetos” em 2000. De 2008 a 2010, fui membro do Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Arquitectos, presidente da “Estratégia Urbana” e Vice-presidente da Associação Trienal de Arquitetura de Lisboa até 2021. Desde 2014, sou Diretor-executivo da Casa da Arquitectura.

(Ana Filipe) Iniciei a minha atividade profissional na área dos arquivos de arquitetura em 1999, na Direção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais – DGEMN, nomeadamente no Sistema de Informação para o Património Arquitetónico – SIPA. Em 2008, transitei para o IHRU, organismo à qual pertenço. Desde 2017, desempenho funções de coordenadora do Departamento de Arquivo e Biblioteca da Casa da Arquitectura, na modalidade de Cedência de Interesse Público

(ARCHIVOZ) Quando é que nasceu, e em que contexto, a Casa da Arquitectura? Relacionado com esta pergunta, onde é que esta se encontra localizada, qual a sua missão, visão, estrutura orgânica, e tudo o mais que considerem para a sua melhor compreensão

(NS) A Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura foi fundada em 2007 e pretendeu ir ao encontro da necessidade de existência em Portugal de uma instituição que para além de acolher, tratar e conservar acervos, espólios e coleções de arquitetura, também levasse a produção arquitetónica nacional e internacional ao conhecimento e entendimento do público em geral.

Desde a sua criação e até novembro de 2017, esteve instalada num edifício pertencente à família do arquiteto Álvaro Siza Vieira, adquirido pela Câmara Municipal de Matosinhos, na Rua Roberto Ivens, em Matosinhos.

Em 17 de novembro de 2017, mudou-se para o designado Quarteirão da Real Vinícola, um edifício industrial construído entre 1887 e 1901, adquirido pela Câmara Municipal de Matosinhos no final do século XX. Este edifício com uma área total de 8.122 m2, encontra-se localizado próximo do mar, em Matosinhos Sul.

A Casa da Arquitectura (CA) tem como principal missão, para além da salvaguarda e conservação de arquivos de arquitetura, a divulgação e valorização da produção arquitetónica nacional e internacional. As duas vocações da Casa – Arquivo e Programação – alimentam-se mutuamente: dos acervos são extraídos olhares que se traduzem em exposições e outras programações paralelas e as exposições enriquecem os acervos com novos conteúdos.

Anualmente, a Casa organiza e produz um vasto programa de atividades transversais no seu tema e perfil, pensado para alcançar o seu maior objetivo: promover, divulgar e levar a arquitetura a todos os públicos. Pretende-se que seja uma Casa aberta a toda a sociedade, objetivo que foi atingido desde o primeiro momento.

(ARCHIVOZ) Quais os serviços e atividades que a Casa da Arquitectura disponibiliza aos seus utilizadores?

(NS) A Casa da Arquitectura disponibiliza um vasto conjunto de atividades que vão desde a programação regular de exposições, conferências, debates, até outros eventos que se cruzam com áreas artísticas variadas como a música e a dança, por exemplo. Para além da programação regular, a Casa gere visitas a várias obras do chamado itinerário Siza de que fazem parte a Casa de Chá da Boa Nova, a Quinta da Conceição e a Piscina das Marés, entre outras. Através do seu Serviço Educativo, a CA promove várias atividades como oficinas, workshops e itinerários, que ocorrem, ora nos espaços da Casa da Arquitectura, ora no exterior, bem como eventos online, através de plataformas digitais. Estas atividades são orientadas por monitores especializados, sendo direcionadas e adaptadas aos mais variados públicos, atendendo às suas necessidades, características e propósitos. Todos os anos, a Casa organiza e promove o Open House Porto em parceria com as autarquias de Matosinhos, Maia, Porto e Vila Nova de Gaia. O objetivo maior é de tornar a arquitetura acessível a todos, aproximando-a do público e estabelecendo ligações entre os autores, as obras e ideias subjacentes. Desde crianças a adultos e idosos, dirigidas tanto a curiosos como a profissionais de arquitetura, as atividades do Serviço Educativo promovem a valorização da cultura, das artes da arquitetura tanto a nível nacional como internacional.

(ARCHIVOZ) O novo coronavírus (SARS-CoV 2) e a COVID-19 colocaram novos desafios aos serviços de informação, obrigando os seus responsáveis e colaboradores a adaptar-se a novas metodologias e formas de trabalhar. De que modo é que neste período tão difícil e singular a Casa da Arquitectura foi capaz de uma resposta eficaz aos problemas e oportunidades surgidas? Da organização do trabalho interno ao atendimento ao público e difusão da informação, o que mudou? Que estratégias foram, e estão a ser, desenvolvidas, no sentido de mitigar os seus efeitos?

(AF) No que diz respeito à organização do trabalho, o período de confinamento imposto pela pandemia, coincidiu com o período de normalização, exportação e validação de conteúdos informacionais para a base de dados, tarefas que foram perfeitamente possíveis desenvolver em teletrabalho. O principal problema prendeu-se com o atendimento presencial, que ficou suspenso desde o início de março até junho. Durante este período continuaram a surgir pedidos aos quais tentámos responder sempre pela via digital.

No que diz respeito à difusão da informação, os constrangimentos de programação levaram à procura de novos desafios, e neste sentido as redes sociais foram uma mais valia, tendo registado um aumento significativo de interações. Foi também estabelecida uma parceria com a RTP para a produção e emissão de um conjunto de pequenos vídeos dedicados a obras de arquitetos cujo acervo se encontra ao cuidado do Arquivo da Casa. Os spots realizados pela CA foram para o ar durante as emissões da RTP1, RTP3 e RTP Internacional, dando uma visibilidade extraordinária ao Arquivo da Casa e à arquitetura portuguesa.

(ARCHIVOZ) O que nos podem dizer dos espólios documentais de Arquitetura ou artísticos que se encontram na posse ou à guarda da Casa da Arquitectura? Esses acervos encontram-se todos, e integralmente, disponíveis para consulta pública? Relacionado com este assunto, considerando o extraordinário prestígio, nacional e internacional, da Casa da Arquitectura, de que modo é que esta é procurada com a finalidade de receber incorporações patrimoniais, científicas, artísticas, etc., relativas à arquitetura e urbanismo? Estes acervos integram bibliotecas, objetos de arte, etc., para além da documentação arquitetónica propriamente dita?

(AF) Do ponto de vista curatorial, o Arquivo da Casa da Arquitectura apresenta três vertentes: acolhe acervos e espólios pessoais, recolhidos sempre que possível na íntegra; recebe projetos singulares de relevância histórica, artística ou territorial; e integra ainda coleções coletivas, de um dado território e/ou de um determinado período.

Desde fevereiro de 2018, data em que recebeu o primeiro acervo integral doado pelo arquiteto Pedro Ramalho, o Arquivo da Casa reuniu uma coleção de arquitetura brasileira, constituída por 76 projetos da autoria de vários arquitetos, que abarcam várias gerações e formalizou a doação ou depósito dos seguintes acervos integrais: Eduardo Souto de Moura, Gonçalo Byrne, João Luís Carrilho da Graça, Paulo Mendes da Rocha, António Fortunato Cabral, ARS – Arquitetos, Francisco Melo e Jorge Gigante, Metro do Porto, e ainda dois projetos de João Álvaro Rocha e a documentação relativa à participação oficial portuguesa na Bienal de Arquitetura de Veneza, cedida em depósito pela DGARTES.

Os acervos mencionados encontram-se totalmente disponíveis para consulta presencial, com exceção dos acervos dos arquitetos Gonçalo Byrne e João Luís Carrilho da Graça, que devido aos constrangimentos provocados pela pandemia, ainda não foi possível recolher. No que diz respeito ao tratamento arquivístico, encontram-se integralmente tratados e catalogados na base de dados digital (a disponibilizar brevemente), o acervo do arquiteto Pedro Ramalho, constituído por 3 mil peças desenhadas, 1607 fotografias, 13 maquetes e 7 ml de documentação textual, os projetos do arquiteto João Álvaro Rocha e a Coleção de Arquitetura Brasileira. Os restantes acervos encontram-se inventariados e registados na base de dados até ao nível do projeto, estado atualmente em tratamento e digitalização os acervos dos arquitetos Paulo Mendes da Rocha e Eduardo Souto de Moura.

Relativamente à tipologia documental, os acervos são compostos na sua maioria por peças desenhadas, documentação fotográfica, vídeos, textos, maquetes, publicações e, nalguns casos, obras de arte como esculturas e desenhos artísticos emoldurados.

(ARCHIVOZ) Nos espólios documentais de arquitetura à responsabilidade da Casa da Arquitectura é incontornável falar na Coleção Arquitetura Brasileira. O que nos podem dizer sobre esta e a Exposição “Infinito Vão – 90 Anos de Arquitetura Brasileira”?

(NS) A coleção de Arquitetura Brasileira foi a primeira coleção a ser concluída e apresentada pela Casa da Arquitectura e abrange um conjunto de 76 projetos de arquitetura e urbanismo, construídos em vários Estados do Brasil, representativos da produção arquitetónica brasileira desde o período moderno à contemporaneidade. Do ponto de vista curatorial, foi definido um arco temporal de 1927 a 2018, sendo o projeto mais antigo o da Casa Modernista da autoria de Gregori Warchavchik e o mais recente o Sesc Franca, da autoria dos gabinetes de arquitetura SIAA + APIACAS Arquitetos.

A nível documental, a coleção apresenta mais de 50 mil documentos, entre analógicos e digitais, desde peças desenhadas, documentação fotográfica e textual, maquetes, publicações e outras obras como um cavalete ou ladrilho hidráulico desenhado pelo arquiteto especialmente para aquela finalidade, para além de uma coleção de fotografias recentes da autoria dos fotógrafos de arquitetura brasileiros, Leonardo Finotti e Nelson Kon.

A Coleção conta com nomes como: Gregori Warchavchik, Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho, Lucio Costa, Luiz Nunes, Diógenes Rebouças, Adolf Franz Heep, David Libeskind, José Bina Fonyat, Acácio Gil Borsoi, João Batista Vilanova Artigas, Décio Tozzi e Luiz Carlos Ramos, Carlos Millan, Ruy Ohtake, Fábio Penteado, Alfredo Paesani, Teru Tamaki e Aldo Calvo, Abrahão Sanovicz, Jorge Wilheim e Miguel Juliano, Eduardo Longo, Pedro Paulo Saraiva, Sérgio Fischer e Henrique Cambiaghi Filho, Sergio Magalhães, Clóvis Barros, Silvia Pozzana e Ana Lúcia Petrik Magalhães, Éolo Maia e Jô Vasconcellos, Assis Reis, Marcos Acayaba e Helio Olga, Oswaldo Arthur Bratke, Gustavo Penna, Joan Villà, Usina CTAH, João Filgueiras Lima, Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb, Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza, Marcelo Suzuki, Rodrigo Cerviño, Mauro Munhoz, MGS + Associados, Brasil Arquitetura e Marcos Cartum, Mario Figueroa, Lucas Fehr e Carlos Dias, Marcos Boldarini, Biselli + Katchborian, MMBB Arquitetos, H F Arquitetos, Marcio Kogan, Irmãos Roberto, Álvaro Puntoni, Luciano Margotto, João Sodré e Jonathan Davies, Héctor Vigliecca, Angelo Bucci, Carla Juaçaba, Arquitetos Associados, Andrade Morettin, Triptyque, SIAA e Apiacás, Metro Arquitetos, Mapa BR, Claudio Libeskind e Sandra Llovet, Ciro Pirondi, Estúdio 41, Abrão Assad, Paulo Mendes da Rocha, Jorge Wilheim, Ernest Mange, Rosa Kliass e Cauduro Martino e Jorge Maria Jauregui.

Para a exposição foram selecionados 90 projetos, tendo nalguns casos a documentação utilizada sido cedida pelas respetivas entidades detentoras apenas para a exposição e catálogo.

A Exposição “Infinito Vão – 90 Anos de Arquitetura Brasileira” esteve patente ao público na Casa da Arquitectura entre setembro de 2018 e setembro de 2019 e teve curadoria de Fernando Serapião e Guilherme Wisnik.

Recebeu quase 18 mil visitantes durante o período em que esteve patente na CA. O Programa Paralelo da mostra produziu 24 atividades, tanto em Portugal com no Brasil, a que assistiram 21 330 participantes.

Foi a primeira exposição da CA a viajar para fora de Portugal. Esteve patente no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, Brasil, de novembro de 2020 até ao passado mês de junho.

Atualmente estão a ser constituídas outras coleções como por exemplo a de “Arquitetura Portuguesa” que inicialmente se pretendeu abarcar o período de 1974 a 1999, 25 anos de democracia, mas que se pretende alargar a 50 anos.

(ARCHIVOZ) Qual a documentação (arquivos e coleções) mais consultada(s) e a(s) que origina(m) mais pedidos de reprodução, por quem (qual o utilizador-tipo) e para que fins? Qual o número médio anual de utilizadores (antes e durante a fase de pandemia)?

(AF) Os acervos dos arquitetos Eduardo Souto Moura e Pedro Ramalho são sem dúvida os mais consultados, e desde setembro de 2020, o acervo do arquiteto Paulo Mendes da Rocha entrou também na lista das preferências. Os utilizadores são na maioria estudantes de arquitetura, de licenciatura ou mestrado e investigadores para publicações. O número médio de utilizadores por ano tem sido à volta de 150, tendo a pandemia reduzido o número para 12 investigadores presenciais, durante o primeiro semestre do ano.

Existe ainda um número considerável de pedidos de empréstimo para exposições nacionais e internacionais, essencialmente maquetes.

(ARCHIVOZ) Ainda a propósito da documentação, uma questão de nomenclatura, e mesmo conceptual, que julgo ser crucial fixar: qual a diferença entre arquivos de arquitetos e arquivos de arquitetura, o que se entende por documento de arquitetura, e o que é a arquitetura?

(NS) Como dizia Paulo Mendes da Rocha, “a arquitetura serve para evitar o desastre”. É a capacidade de construir e amparar a imprevisibilidade da vida desde os tempos das cavernas, em que os homens se abrigavam em locais naturais para se proteger da natureza. É a capacidade que o homem tem de moldar e construir o seu habitat para responder às necessidades do dia a dia, quer ao nível de espaços para habitar, como para aprender, trabalhar, divertir ou circular.

A arquitetura é também uma arte. A arte de construir de forma criativa e organizada, segundo um conjunto de princípios, normas e técnicas, sendo os documentos de arquitetura todos os documentos produzidos e acumulados durante este processo criativo, desde a fase mais embrionária até à conclusão da construção da obra, que é o fim último, sendo certo que muitos projetos não chegam a alcançar esta fase. Considero que o projeto é o ponto central da produção documental e deve agregar toda a informação.

(AF) Neste contexto, entendo que arquivos de arquitetos ou de ateliers de arquitetura são o reflexo de toda a atividade desenvolvida pelo arquiteto ou atelier, não esquecendo as publicações, que certamente influenciaram pensamentos ou tendências de projetar. São arquivos compostos por documentos de tipologia muito variada desde mapas, levantamentos topográficos, esquissos, desenhos técnicos, documentação fotográfica e textual, incluindo correspondência, fotolitos, maquetes, publicações gerais ou especializadas, filmes, áudios ou outros, como obras de arte, registados numa grande diversidade de suportes, técnicas e dimensões, que necessitam de espaços adequados para guardar, conservar e divulgar, e condições de acondicionamento e conservação também elas distintas entre si.

Em suma, arquivos de arquitetura fazem parte dos chamados “arquivos especiais” que necessitam de espaços com caraterísticas também especiais.

(ARCHIVOZ) Tendo em conta a importância crucial da difusão da informação, como se efetua a disponibilização dos arquivos e coleções à responsabilidade da Casa da Arquitectura, como é possível aceder a esta? Para quando a disponibilização do Edifício Digital da Casa da Arquitectura e em que consiste o mesmo? Que outras atividades são desenvolvidas pela Casa da Arquitectura, por exemplo, ao nível de instrumentos de acesso à informação, como guias de fundos, catálogos, inventários, etc.?

(AF) Só partir de novembro de 2017, com a transferência para o renovado Quarteirão da Real Vinícola, onde passou a beneficiar de condições de excelência ao nível da conservação, preservação e divulgação, foi possível à Casa da Arquitectura iniciar o processo de recolha de acervos, tendo, como já foi referido, recebido o primeiro acervo integral no início de 2018, data a partir da qual se começaram a registar pedidos de acesso à documentação.

O ato de recolha dos acervos é sempre antecedido pela elaboração do inventário, que serve de instrumento de acesso à informação dos acervos ainda sem tratamento ou com tratamento em curso. O objetivo final é criar catálogo para cada acervo, que será disponibilizado à medida que for concluído o tratamento arquivístico.

Entre o final de outubro e o início de novembro desde ano, será disponibilizado na web o Arquivo Digital, de acesso universal. Será uma base de dados bilingue, que integra diferentes aplicações. Para além da informação relativa ao património documental à guarda da Casa da Arquitectura, é possível encontrar informação sobre os edifícios que foram construídos, incluindo georreferenciação e as publicações existentes nos acervos e na biblioteca. Atualmente, a plataforma conta com cerca de 11 mil registos com imagens digitais associadas, que poderão ser descarregadas a partir de qualquer parte do mundo.

A preservação, divulgação, bem como a valorização da arquitetura em geral, é um dos principais objetivos da Casa da Arquitetura.

É indiscutível a importância de recolher acervos de arquitetos e de os garantir para a memória futura. É igualmente indiscutível a importância de os dar a conhecer, quer seja através da disponibilização da informação para um público mais especializado, para produção de novo conhecimento, como através de exposições ou outros meios de divulgação para o público em geral.

As duas missões da Casa da Arquitetura, arquivo e programação, alimentam-se mutuamente: dos acervos são extraídos olhares que se traduzem em exposições e outras programações paralelas e das exposições resulta a produção de novos conteúdos que chegam a um maior número de pessoas e enriquecem os acervos. Esta dinâmica programática gerada em torno do património arquivístico, é sem dúvida uma das mais-valias da Casa da Arquitetura.

As exposições são desenhadas com o objetivo de divulgar a documentação em Arquivo e transmitir de forma fácil a arquitetura a todos os públicos.

(ARCHIVOZ) Quais os principais projetos a desenvolver, ou em curso, no presente ano, e os que se encontram programados para 2022?

(AF) Ao nível do Arquivo, prevê-se disponibilizar a plataforma web, que virá reforçar a aposta na divulgação online, dar continuidade ao tratamento arquivístico dos acervos em curso, dos arquitetos Paulo Mendes da Rocha e Souto Moura, e recolher o acervo do arquiteto João Luís Carrilho da Graça, que será objeto de uma exposição monográfica ainda este ano.

Dar-se-á ainda início à constituição de uma Coleção de Arquitetura Portuguesa, relativa ao período da democracia, que pretendemos expor na comemoração dos 50 anos do 25 de Abril.

(NS) Relativamente ao programa estrutural, a Casa continuará a centrar-se nas suas exposições e programas paralelos associados, visitas, workshops, oficinas, Open House Porto e Aniversário da Casa. Paralelamente, continuará a coorganizar e coproduzir, acolher e desenvolver outras ações por iniciativa própria, em parceria ou apenas em acolhimento.

(ARCHIVOZ) A internacionalização parece ser uma aposta clara da Casa da Arquitectura. O que nos podem revelar, o que podemos esperar da Casa da Arquitectura para os próximos anos, sobre esta matéria?

(NS) A dimensão internacional da Casa da Arquitectura tem sido uma constante desde a sua fundação, sendo hoje uma componente totalmente integrada na dinâmica da instituição.

Para além do potencial de promoção e divulgação da CA na ativação de novos públicos, o trabalho de internacionalização está vocacionado para a incorporação no Arquivo da CA de novos acervos e constituição de novas coleções internacionais.

A afirmação internacional foi muito conseguida graças aos acervos de arquitetos como Eduardo Souto de Moura, que sendo português tem uma dimensão internacional muito forte, da coleção de arquitetura brasileira e mais tarde com a integração do acervo do Arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Estes momentos foram marcantes para assumir uma notoriedade pública.

A CA inclui nas atividades e programação projetos de todo o mundo, sendo exemplo disso a exposição inaugural “Poder Arquitetura”, que reuniu uma centena de projetos de arquitetura construí­dos à volta do mundo, tendo sido convidada gente de todo o mundo para refletir e pensar arquitetura.

Imagem cedida pelos entrevistados: Vista geral do depósito de maquetes da Casa da Arquitectura (fotografia: Gilson Fernandes).


Entrevista realizada por: Paulo Jorge dos Mártires Batista

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